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08 junho, 2010

Uma longa primavera.

(Fragmentos/pensamentos de um suposto livro que eu comecei a escrever no final de 2009 e que hoje certamente virou mais uma lembrança de um tempo que foi escrito, desenhado, pintado e que não poderei arrancar uma folha sequer para não haver enganos.)

Um súbito de informações invadem o corpo, as flores estão ao alto. Não sabe-se como ou aonde os olhos passaram a brilhar, mãos trêmulas e pernas inquietas, começaria alí um amor triângulo.

Julho de 2008,
Os adolescentes sem dúvida obtiveram um espaço significante na sociedade, tempos de revolução pessoal, interna e externamente. Aqui nesse pequeno manicômio que chamamos de cidade não foi diferente, manifestações culturais voltadas ao público teen, intervenções artísticas e modificações na área da estética. Tempos de liberdade de expressão, utilizavam o corpo e a imagem para "vender" um produto no mínimo falso que eram eles mesmos.
Nesta mesma época onde todos tinham tinta colorida no cabelo conheci um garoto que era uns três anos mais velho do que eu, ele não era tão grande, não era lá tão garoto também, um pouco afeminado mas muito bem apessoado. O conheci de repente, e assim as coisas foram acontecendo. Cerca de um mês depois sabíamos o suficiente um do outro, sabíamos o ocorrido até aquele último instante do nosso último suspiro. Num dia qualquer, numa das nossas andanças fui apresentada aos amigos dele, os melhores amigos, que até então não me conheciam por falta de oportunidade, ou de motivos.
Primeiro encontro. Era ela, não lembro da roupa ao certo, também não lembro das outras pessoas em volta, estavam todos apagados, desfocados diante da minha visão. Certamente estava com aquela meia arrastão que lembro nos dias de sábado daquele passado, cabelo esverdeado e detalhes incríveis em cada canto do corpo. Não sei aonde havia guardado minha cabeça naquele momento.
Os tempos passaram, os cabelos desbotaram e ainda mantinha contato com eles. Saíamos com mais frequência e estávamos mudando o guarda-roupa, os sorrisos eram os mesmos, o humor às vezes era alterado, os sentimentos por hora confundidos, algumas discussões e separações mas sempre deixávamos o passado enganado no nosso presente de felicidade gotejante.
Passeios na praia, areia no corpo, conversas picantes, silêncios e paixões platônicas. Lembro de ter sentido tudo no meu quase tudo. Era um ano bastante conturbado, lotado de conflitos e mudanças, era de certa forma um começo, mas ainda não sabíamos nada. No momento éramos apenas ouvintes do tempo.

Dezembro de 2008,
Mais especificamente no último dia do ano. Estava na praia acompanhada de uma pessoa muito especial com a qual vivi momentos incríveis e que me fez descobrir um outro sentido do que realmente se chama dor, mas isso é um outro livro. Fizemos pedidos saudando o novo ano, com os corpos entrelaçados sobre a areia da praia deserta. Os pedidos então puderam se realizar mais tarde.

Maio de 2009,
Mantive minhas crises de ciúme de sempre, me pondo em situações trágicas e desesperadoras. Realmente era incontrolável, perdia a cabeça com uma troca de olhares ou uma boca manchada de batom após cinco minutos de desaparecimento. A menina dos olhos de mel, aquela antiga menina dos cabelos esverdeados me fazia arrancar os cabelos de ciúmes, e eu a fazia ter ódio mortal da minha face por longas vinte e quatro horas, ou mais. Era passageiro, instantâneo e forte. E novamente os tempos passaram.
A menina dos olhos de mel era uma espécie de tudo o que eu podia e queria ter, éramos irmãs, confidentes e amigas. Brigávamos e discutíamos quase sempre, era também incontrolável, meu jeito estúpido e errante certamente não agradava a competência e beleza de tão linda jovem, ela sempre foi meu orgulho.
Nesta mesma época ou até antes descobri uma paixão dela por um tal músico, vocalista de uma banda de rock até então desconhecida por mim. Pudera, aqui nessa cidade onde só podemos escolher entre sol e chuva e só há divulgação de bandas de forró certamente não ouviria nada a respeito. Mantive um certo ciúme, ela não parava de falar nele e parecia uma criança devorando um sorvete com os olhos e pensamento. Haviam momentos em que eu desejava não ter descoberto tal novidade.

Junho de 2009,
Por convite da menina dos olhos de mel fui a uma intervenção do tal vocalista dos sonhos, pelo qual ela sentia o estômago afundar, o único. E além de cantor o tal era ator, em meus sonhos uma quase realidade. Ele realmente parecia ser a alma gêmea dela, os gostos parecidos e aquelas citações de Augusto dos Anjos na minha cabeça, aqueles materiais e cores, aquele trem quebrado e aquele cheiro e me sufocava. Eu gostei, era um pouco de dor que eu precisava pra afundar de vez entre aquelas paixões. Havia uma outra menina conosco, a que eu não sabia mas também era amor secreto da menina dos olhos de mel. Estava eu, perdida, sem saber, diante das duas paixões da menina do vestidinho preto e da tatuagem na perna. Isso sim era sufoco. Não sei explicar mas sentia e sinto uma coisa muito forte por ela, talvez nunca entenda, essa amizade é quase inacreditável e inacessível.
Na mesma época alguns amigos nossos combinaram de ir a um evento que teria num pub perto da praia, haveriam alguns shows de bandas até então quase desconhecidas que tocariam alguns covers e fariam algumas mudanças no ritmo. Os shows foram ótimos e o tal vocalista ator estava presente com uma outra amiga a qual ele não largava desde o dia primeiro de janeiro, era carne e carne. Os vi bebendo tequila e dançando desengonçados, pareciam estar bêbados ou no mínimo chapados, passei a ver as situações e pessoas com outros olhos. Saí de lá não mais o achando tão "pedra no sapato".

Julho de 2009,
Dois meses depois de ter entrado num Projeto Social fui à uma viagem com o grupo para Campina Grande, ele também estava lá, junto da tal amiga "primeiro de janeiro" que era a coordenadora do tal grupo que piscava nossas ideias. A menina dos olhos de mel no entanto tinha encontrado uma outra paixão, essa totalmente fora dos padrões aceitáveis pela sociedade normal. O menino era cheio dos cachos e sorrisos brancos, parecia não se importar com moda e vivia acompanhado de um caderno que ela havia feito, rabiscando suas ideias e amores. Era um total idiota, tinha namorada e não contetado com a falta de sexo na relação foi fisgado pelo encatamento da tal menina de estatura baixa e pernas de fora. Certo ele, todos eram loucos por ela. Ainda acho que foi um momento de fraqueza na pobre cabeça da menina, ela devia estar num daqueles surtos de febre do estrangeiro apesar de nem existir na época. Os dois passaram as viagens numa bolha, ouvindo as músicas do meu mp4 que titularam deles, cansaram apenas quando o pobre falho descarregou, estragando até a minha alegria da volta. Sorte minha que haviam outros, animados e com um violão, escolhendo músicas e cantarolando como se fossem crianças, aproveitando cada minuto pra acumular alegrias e aproveitar os momentos.
Numa dessas melodias, entre frio e paisagens tirei meu casaco listrado de dentro da bolsa, e de repente, num só impulso o vocalista vôou sobre meus ombros puxando o casaco de minhas mãos, ele repetia sem parar que era lindo e que iria roubar pra ele. Eu espantada nada entendia, não possuía nenhum conjunto de frases dignas com ele ou uma fila de sorrisos. Me levando pelo encatamento da brincadeira passei a vê-lo como um espelho e um mestre às minhas piadas sem graça e canções desafinadas. E assim começamos a outra parte da história. O resto daquela viagem foi só nossa, o tal vocalista era mais do que eu imaginava, uma outra metade de mim.

Agosto de 2009,
Iniciavam os vestígios de uma nova era, éramos três, eu, o vocalista e a menina dos olhos de mel. À partir do meio do mês criamos vínculos jamais quebrados, saíamos e conversávamos sobre todos os tipos de assunto, entre cigarros e bebidas nós ríamos como tontos diante de palhaços sem graça. A nossa felicidade no entanto estava só começando, era início de Primavera, estação das flores.

Setembro de 2009,
Após desencontros e desentendimentos ao telefone não sabia o que poderia salvar meu dia em plena quinta-feira. Junto ao vocalista combinei um tal encontro com a menina dos olhos de mel, uma maneira de nos vermos para jogar conversa fora, tinha saudades caladas. Fomos os três depois da loja de fantasias a um bar com karaokê e cerveja, eram as únicas opções, e era o que queríamos. Descobrimos alí uma compatibilidade de almas, em cada copo um gole de amor, surgiram os planos e surgiram as músicas na tela, gritadas e aplaudidas pelos espectadores da rua. Já era noite, havia garantido a felicidade do meu dia. E depois foram vários momentos de loucuras e esterias calorosas. Nossos passeios noturnos regados a cigarros e bebidas, as frases e lembranças.
E à partir daquele dia, daquela tarde banhada a àlcool e música construímos o mais belo jardim que alguém pode ter. Construímos um amor triângulo inabalável. E foram saudades, crises de abstinência e carência, neve. E as semanas foram passando, os dias, horas, minutos. Foi um súbito de tudo que nos tomou como vento, aconteceu conscientemente de uma certa forma, mas foi tudo o que eu havia pedido no tal ano novo. As coisas realmente acontecem de repente, sem que façamos planos ou expectativas, nos pegam de surpresa e mexem com todas as nossas estruturas.
Aguardem, a Primavera está apenas começando.

Outubro de 2009,
Eu e o vocalista fizemos uma música para menina dos olhos de mel, preparamos também uma surpresa que será inesquecível, uma das coisas mais lindas já vistas por alguém. A nossa música me traz uma paz inexplicável, ela vem cantada do fundo da alma, parece carregar todo o peso do sentimento, escorre por nossa boca num leve soprar. E continuamos vivendo momentos incríveis, tardes e noites encantadas, dias regados a vinho e massa, piscina, doenças, festas, shows. Tivemos também momentos união total, aquele nosso imã eterno que nos faz juntar os lábios, os corpos e membros.
Sinceramente não sei explicar a imensidão disso em mim, talvez esse algo tão grandioso seja uma forma de me levar à realidade do meu conto de fadas. Não consigo me imaginar sem os dois, é situação de desespero total pensar no Inverno.
E por enquanto vai ser assim...
A nossa Primavera vai demorar.

Dezembro de 2009,
Após grandes mudanças na nossa relação, amor triângulo agora parecia mito diante de tantas decepções que qualquer tipo de amor parece trazer. O final do mês ficou marcado em pequenas grandes tragédias e imensas feridas nos corações de quem, a alguns meses atrás, sonhava em dividir almas. Final de um ano com mais surpresas que o esperado.
Nos primeiros meses de 2010 as coisas voltaram ao normal, era questão de tempo até que aquele amor pudesse sentir falta de nós, e assim foi. Acontece que todos sabemos que nada permanece igual após um choque ou um arranhão sequer, mas agora tudo parecia caminhar bem daquela forma, não sei se é por que havíamos amado demais mas ser tão feliz como antes parecia algo meio impossível, e já era de se esperar. Apesar de tudo os três seguiram tranquilos e mantendo um nível de proximidade reduzido, isso só comigo e ela, com ele eu ainda era tudo e mais um pouco, até hoje não nos ferimos.
Fiquei sabendo algum tempo depois que minhas passagens para outro mundo já haviam sido compradas, dentro de um mês eu iria embora pra Europa morar com minha mãe e tentar ser o que ela sempre quis que eu fosse, e era o que de certa forma eu queria também, mas tinha muita coisa em jogo e eu nunca pareci tão forte pra saber carregar tanto peso em uma mala só, mas fui.

Maio de 2010,
Era dia 12 e minhas malas a uma semana já estavam prontas, eu nem sabia o que fazer diante de tão pouca coisa que eu ia levar, a maioria das pessoas que eu queria estavam na minha casa e mal podiam imaginar que se eu pudesse encontrava um jeito de enfiá-las uma a uma dentro das minhas roupas. Por não saber o que fazer dei um único grito que me valeu até o outro dia. Parti por volta de uma da manhã, dia 13 já. Dentro da mochila cartas, fotos, um cavalo branco e minha saudade que nem me deixou fechar o zíper.

Nem parece, escrevo hoje dia sete, essa semana fará um mês que cheguei aqui e carrego no peito toda a coragem do mundo. Agora eu sei que deixei muita coisa, mas sei que mesmo longe todas essas coisas serão pra sempre minhas. Eu vou mastigando o tempo enquanto o tempo me devora.

04 junho, 2010

- Sempre tenha algo nas mãos.

Nunca levei a sério essa história de sempre, mesmo sem necessidade, carregar algo entre os dedos pra apertar ou balancear a solidão. Noite passada eu carregava um pássaro nas mãos, carreguei até em casa todos os sorrisos sem rosto que encontrei na rua, procurei tanto que eles pareciam ser pra mim. Desde a partida, do "the end", "volto logo", chame como quiser isso ou aquilo que eu fiz e deixei. Desde aquele dia eu carrego algo muito grande nas mãos, algo que exala um perfume único e misturado com meu cheiro de sono deixa qualquer um com alguma iniciativa suícida, enorme. Tem gosto de vinho, notas musicais, saudade e reencontro. É por isso que pareço um pouco louca quando ao suspirar agoniada fecho as mãos depressa.

30 maio, 2010

Bryn


Após tantos filmes e livros, poesias, músicas e outras formas que eu encontrei de falar, não falar, quase falar e gritar, silenciei sete minutos a mais do que me é de costume. Uns sete minutos meio salgados e cheios de pausas aflitas, eu quase podia adorar a sensação de não precisar sonhar tão esperançosamente e... Assim como chegou escapou das minhas mãos em uma frase. Agora saio de casa com a mochila vazia e estranhamente ela pesa mais assim do que cheia daqueles meus planos embrulhados em guardanapos. Passando das quatro rodas do carro, do meu vidro no lado direito do banco de trás, das fotos que ultrapassam espelhos e passando inclusive da minha única visão de pós-mundo. Carreguei uma culpa tão grande que após desvendada virou só saudade, a pior e melhor de todas, em 1,2,3...
Debaixo de mil peles, em mim, naquele velho que eu vi na rua andando de bicicleta, ele e suas sobrancelhas horríveis. Após o trabalho, depois de dois dias seguidos de fumaça sem fogo, cansado assim como eu de algo que ele também não sabia, mas envolvia frio. Não quero contar os minutos pra não me desesperar muito, não aguentaria saber quantos milhões deles eu precisaria para matar uma única vontade, e nem era tão grande assim, só maior do que eu. Então... Me permito não ter que saber tanto assim de mim, às vezes soa previsível pra mim mesma, até nas vírgulas em excesso. E enquanto esse cidade for iluminada eu escreverei
sobre ela. Agora sou daqui, mudar não é um plano. Guarda-chuva e vinho debaixo do braço, câmera nova nas mãos, sorriso antigo, cabelo desbotado e um nariz novinho em folha, eu nasci! "Dá minha jaqueta, boy..." Finquei os pés em cimento fresco.

03 maio, 2010

Deixa eu me apaixonar enquanto é tempo, enquanto há tempo.
Deixa eu me apaixonar pela falta de tempo.

Nunca tive nenhum problema com a insônia, muito menos casos de manhãs como essa. E mais uma vez as linhas tortas me mostraram o caminho certo. Tenho mais frio pra sentir, uma mão morna que carrega unhas compridas, não há coração que aguente! Eu posso sentir o cheiro dos nossos astros... Mais perto do que se imagina. E se agora não consigo dormir é por que já devo estar sonhando.
São seis da manhã, o que eu posso dizer?
- Minha mão estará sempre a disposição da sua garrafa.

21 abril, 2010

Pra ele e os quinhentos dias.

Eu queria ter te falado tudo o que iria acontecer, mesmo sabendo que você já estava ciente eu queria ter ido lá, e logo depois você ouviu, depois do primeiro beijo e no dia da primeira transa. Eu queria ter te alertado da forma que eu gostaria que tivessem feito comigo, com a mesma pressa e vontade, com o mesmo fôlego. Eu tinha fôlego pra te contar as urgências que ela tinha, ela e a vida, e você mais ainda.
Tudo bem, já cansei de saber que nós ficamos cegos diante de olhos como aqueles, de sorriso como aquele, de cabelos como aquele, e fatos, quase emergências nossas que médico nenhum seria capaz de diagnosticar, muito menos medicar. Amor não tem remédio, nem cura, muito menos sentido e orifício. Lhe entopem de algo até então impossível de ser tocado com mãos firmes, algo que tem todas as cores e todos os sabores, de primeira parece aquelas gelatinas que grudam na parede, não permanecem com facilidade entre os dedos. É quase isso, quase uma gelatina, mas você não sabia que doía, e doía muito não conseguir entender o porque daquilo não te pertencer por completo. Era mais fácil vê-la brilhar grudada na parede, e com isso
você percebeu depois que tudo fora de suas mãos era mais bonito e parecia mais seguro.
A aliança no dedo dela não era presente seu, o sorriso, o olhar e os cabelos dela já não lhe agradavam como antes, eles pertenciam agora a outros olhos mais atentos, olhos os quais agora ela olhava. E de repente você passou por ela com a mesma intensidade que a fazia imortal nos seus pensamentos.
Você se foi de todas as formas que ninguém conseguiu contar. E ela ficou, eternizou-se dentro de você durante aquela estação.

20 abril, 2010

É minha essa varanda!


Me espere, espera que daqui a pouco eu tô chegando!

Já mudei bastante desde a última vez que pisei em ti, mudei muito, mas foi internamente, você perceberá pelo tipo de música que eu passarei a ouvir. Lembra da minha garota? Pra quem eu ligava na sua presença, toda tarde, noite, dia. Pois é, voltarei com ela, minha amiga. Minha amiga. E sabe, eu ganhei mais do que ninguém nessa etapa.
Vou me despedir, levarei um pedaço seu comigo. O pedaço que falta em mim, pois não sou feita de pedaços e sim da falta deles. Logo eu acho uns alguéns que me preenchem.

11 fevereiro, 2010

Mais da metade é viva

Estou forçadamente escrevendo para os fatos bons que estão me marcando desde a primeira hora do novo ano, e é estranho pois nem me sinto tão nova assim como ele. Não que eu seja feita apenas de tristezas, melancolias, dramas, gaiolas, fios, pausas e fins. É isso também, muito disso e esse triplo de alegrias, vinho, água, cloro, colos, começos, recomeços e permanências. Admito que prefiro escrever sobre o lado que pesa mais num lugar do cérebro que deve ser bem cinza, mas o outro lado é arco-íris.
Me veja feliz, sorrindo de amores desde o primeiro segundo do dia primeiro do ano dez necessário. Ando louca, pensei, pois até sozinha olhando as paredes me vejo totalmente completa
e satisfeita, satisfeita com o ruído que vem da caixa de som que me lança a moça mais vagal que há e o passarinho do meu sweet jardim. Vez em quando eu abro a caixa dos pensamentos póstumos e sigo na certeza de que nunca tinha iniciado um ano tão bom. Nem as casas de família suportam minha alegria, e ao dormir me cubro apenas com os sonhos que eu tive a cada dia. Confesso também que preciso de um livro em branco, quero todas as páginas dispostas a serem escritas e reescritas por dedos de vento. E quero ser vento até o final.

27 janeiro, 2010

A mente cala e o coração suspira.

25 dezembro, 2009

Sob tudo.

Desconectar-se do mundo requer muita auto-confiança, além de muita coragem você precisa ter muitos motivos, e eu os tenho. Generalizei com o "do mundo", posso reduzir isso a "desconectar-se de si". E concordo com os poetas, pensadores, filósofos e tudo o que eles falam sobre verdade, concepções, dores, ódio, amor (que mesmo citado por último ainda é clichê). Mas viver demais não dói, negar-se a felicidade batendo em sua porta ou simplismente substituí-la por algo melhor e que lhe cabe sem apertos. Não reneguei origens, não desisti das flores, da primavera, da brisa das 17 hrs, isso seria impossível. Mas entenda, eu tenho um coração apertadinho demais, aprendi a me doar tarde mas me doei até onde não pude mais, e sempre levantava depois das quedas fazendo aquela cara de quem não tinha sentido dor mas na verdade morria de vontade de chorar. Odeio as possíveis datas comemorativas, sorrisos vindos de longe e olhares despercebidos. Tive um Natal ótimo, desisti de uma mesa farta arrodiada de pessoas felizes por um dia 24 de dezembro que é um qualquer como todos os outros dia do ano. Com os pés lavados fiz meu ritual de todas as noites, liguei o aparelho de som e sozinha em casa fui dormir. O melhor Natal da minha vida. Hoje pela manhã assustada com o barulho ainda alto levantei correndo e percebi que faziam oito horas que tocava a mesma música. Eu me sinto livre pra levantar daqui agora e ir correndo até a casa da minha garota, gritar em frente ao seu portão que eu a amo e depois morrer afogada com um balde d'água jogado da janela. Me sinto livre pra continuar a escrever o livro sobre a mudança repentina na minha vida, sobre eles (meus), sobre as idas, sobre as futuras voltas. Queria ter a certeza de que não vão me deixar no meio da estrada, sentada nesse meio fio do que eu vou ser conflitando com o que eu fui (ou tentei). E eu estou tentando... ainda. Tentando fazer com que eu possa ser feliz de uma maneira possível.

22 dezembro, 2009

As perdas de várias formas nos cercam com fita isolante, é algo que aperta e nos deixa totalmente presos, é uma intensa falta de ar. Inundam toda a área de proteção de forma brutal e avassaladora... Idas e voltas, fins, começos, ainda ciclos que de repente renovam-se a partir de algum ponto e vão a outro desconhecido. Desencontros são perdas. Distanciamentos são perdas. A partir daí então deveríamos viver com a certeza de que um dia tudo se encontra, porque tudo o que é pra acontecer acontece. Vendo por um lado bem otimista o mundo é bem pequeno, afinal, quilômetros de terras, espaços vazios, casas, prédios, muros, calçadas, tudo isso pode ser ultrapassado e percorrido, distinguido, descoberto. Pernas, aviões, carros, bicicletas, pássaros, asas, tudo é transporte a um meio possível, tudo é possível. Supomos barreiras que podem muito bem serem destruídas, pisoteadas, da mesma forma que pisoteamos uns aos outros. Podemos fazer tantas coisas piores, a distância é apenas mais um próximo caminho que precisamos percorrer, transcrevemos muitos obstáculos necessários. As perdas de alguma forma são totalmente necessárias, nos tiram o fôlego, sobrecarregam pensamentos, cansam, imploram atenção e depois nos renovam com as voltas, as sempre voltas, voltam pelo mesmo caminho que foram.

06 dezembro, 2009

A mando

Quem já ardeu em alegria?
Euforia, derivados de olhos brilhantes e sorrisos no ponto? Sentir assim os pés fora do chão por longos minutos, ou apenas por 2 min e 43 s que é a duração daquela música alucinógena. Mas ponha a felicidade no repeat. Faço assim com a música.

Sei de quem se foi e de quem fica, junto a minha felicidade.
There’s no one, there’s no one,
There's no one, no one
There’s no one, there’s no one,
There's no one, no one. . .

Alegria derivada de bem-estar, pensamento repetido e carnes desejáveis. Sinto um gosto doce... Um gostar. Aproveitando na medida do possível, às vezes na impossível medida. Aproveitando o esperar. Esta felicidade tem nome, sobrenome, endereço e telefone. Tem esse tempo só meu e uma caixa vasta de verdade que guardo dentro da pele. Ecoa aqui, rasga tudo e soa claro até chocar-se com as paredes sujas de medo.

Felicidade é esta porta que acabo de abrir, minhas escolhas numeradas e eu disposta a mudar. Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado. A mando. Amando estou, a mando da razão.
Lá vem o amor nos dilacerar de novo... E eu de braços abertos. Rasga fundo e ecoa alto, volta todo dia pela manhã e me lambe o estômago de ansiedade.
Sinto agora uma imensa vontade de gritar, ouvindo-me baixinho não tenho noção da intensidade desse querer. Querer fluir.
Com o tempo vou no querer dessa fila sem fim.





04 dezembro, 2009

Mania


Não sou um gênio.
Mania pode ser o hábito de repetir compulsivamente determinada ação. É praticamente uma doença. Temos manias de todos os dias, movimentamos sobrancelhas, narinas, lábios, dedos, orelhas. Procurando o que fazer ao falar no telefone, escrevendo na última página do caderno, mascando chiclete do mesmo sabor, passando perfume nas costas, fechando os olhos no ônibus para adivinhar o local por onde se está passando. Manias de manias. De tudo o que faz parte na rotina, inclusive amar.
Temos manias mais lúdicas como a de vício em pessoas. Li hoje algo interessante e bem verdadeiro, uma frase apenas, dizia assim :
"temos mania de pintar de amor os outros sentimentos."
Na verdade temos mania de amar mesmo, e isso já é o suficiente em loucura. Mas essa é mais frequente dentre as manias, e é hábito sim. Acorda-se amando o colchão macio, o lençól com cheiro único, os retratos sobre a estante e todos os objetos espalhados pelo quarto. Ama-se as paredes sujas e a poeira agonizante no porta-retrato antiguíssimo com uma foto quase centenária de quem se ama mais ainda. Ama-se primeiro o corpo que acorda disposto a dormir mais um pouco, pensando naquele banho frio de um dia quente. Depois de amar o quarto ama-se as pessoas que estiveram em seus sonhos, e geralmente eu sonho muito. Tenho a sorte de ter sonhos lindos com as mais belas pessoas que me fazem feliz, a menina dos olhos de mel e o ogro vivem nos meus sonhos, sim, sim! Mas voltando... Ou não. Explicando também que eles são mania minha, minha mania de querer tê-los num quarto com poeira nas paredes,TV chiando, lençóis sujos, porta-retratos espalhados, objetos centenários e... MANIAS. Eu tenho mania de querer sugar tudo o que ainda resta num copo vazio.
Mania de encher o copo.

02 dezembro, 2009

Verniz


Após um breve descanso totalmente merecido
Eis que chega o momento de espera
Uma hora se passara
Tormentos breves e nada lúcidos
O coração parecia pulsar fervorozamente
Do lado de fora do pescoço
Eu podia sentir os batimentos
Quase invadindo o campo de visão
Demasiados passos e cores
Algo que parecia se dissolver
Na minha frente
Logo a ponto de colidir
E logo também desaparecia

Movimentos longos e quase infindos
Barulhos infernais capazes de me levar á loucura em poucos segundos
Os olhos capturando cada detalhe de cada átomo
O eu-por fora
Extremamente perdido
Externamente inibido
Supondo o futuro tão lindo

O céu era uma mistura de cores suaves
Brisa das 17 hrs
Eu lembro...
Ou lembrei depois quando me situei
Mas ainda nem situei
Cambaleando em linha reta
Sorrindo o verniz nas narinas
Grande céu em fumaça

Aqui no peito os pés na dança
Parados em nós
Sossegados sonolentos
As cabeças que giram nos panos em fita
No chão...
Na mão...
Meu tão...
Não são!

As palavras fogem
Decodifico em traços falhos
Ainda sim tenho os dedos marcados
Da minha boca
Felicidade
Os olhos que se encontraram
Trajeto de início e fim

A lucidez volta a relatar.

25 novembro, 2009

Os sentidos


Não sei da onde vinham as línguas, por todos os lados as sensações eufóricas e os olhos que não continham-se de tanta leveza e se fechavam como a boca de encontro á brisa. As pernas de pinça, seios justos porém muito belos, pele clara e pescoço perfumado de entranhas, voraz eram as mãos que se ajustavam a todo e qualquer espaço na silhueta discreta, naquela noite totalmente abandonada por qualquer tipo de infelicidade.
Perguntei se ela queria alguma bebida, podem não imaginar algo assim vindo de mim, mas claro que me comporto com total delicadeza e educação diante de momento tão incrível, era tudo o que eu precisava para relaxar durante aquelas próximas férias, era sem dúvida uma despedida de solteiro (disso só eu sabia). Ela aceitou, cobrindo o colo com um lençól avermelhado cheio de raios pequenos amarelos. Me virei e por cinco segundos ri.
Podia ouvir algumas músicas ao longe numa festa no outro quarteirão, algo do tipo brega romântico, umas letras bem antigas as quais eu sabia de cor e me indignava a cada frase cantada, sem dúvida muito estranho. Ela continuava rindo ao me ver deitada na cama ao seu lado cantando baixinho e segurando um copo de cerveja um tanto quanto quente, cheguei a imaginar que o calor do ambiente influenciou uns cento e dez por cento no aumento de temperatura do copo (risos).
- poste isso! - lembrou ela, me vendo escrever esse mesmo texto alguns minutos depois num caderno velho de anotações e poesias.
- Não gosto muito do fato de outras pessoas entrarem assim na minha intimidade tão linda, quero guardar apenas para mim esses momentos e gozar novamente cada vez que ler tudo e tudo, indo e vindo, cada vírgula dessas revirando os olhos de prazer nas lembranças. Veja só, sou muito egoísta, não?

Sou egoísta e sou tudo, uma puta em busca de amor, em busca de desejo nessas camas. Podemos ser felizes com dois corpos juntos, um sobre o outro, em qualquer lugar.
Podemos utilizar de tudo para os mais variados tipos de felicidade, no sexo, nas mãos, no olhar, nas caras e bocas, nos cheiros, nos amores, nas amizades, no espalhar de todos os sentidos que se perdem por aí.

Te declaro...


Eu passei a necessitar de corpo feminino cada vez mais, antes sentia um prazer filho da mãe por uma boa mulher, mas era só assim de leve no corpo, um arrepio pequeno. Agora eu sinto tantas outras vontades, e maneiras, minha cabeça explode, eu posso sentir as pernas tremendo e os seios girando, e as bocas...