04 junho, 2010

- Sempre tenha algo nas mãos.

Nunca levei a sério essa história de sempre, mesmo sem necessidade, carregar algo entre os dedos pra apertar ou balancear a solidão. Noite passada eu carregava um pássaro nas mãos, carreguei até em casa todos os sorrisos sem rosto que encontrei na rua, procurei tanto que eles pareciam ser pra mim. Desde a partida, do "the end", "volto logo", chame como quiser isso ou aquilo que eu fiz e deixei. Desde aquele dia eu carrego algo muito grande nas mãos, algo que exala um perfume único e misturado com meu cheiro de sono deixa qualquer um com alguma iniciativa suícida, enorme. Tem gosto de vinho, notas musicais, saudade e reencontro. É por isso que pareço um pouco louca quando ao suspirar agoniada fecho as mãos depressa.

30 maio, 2010

Bryn


Após tantos filmes e livros, poesias, músicas e outras formas que eu encontrei de falar, não falar, quase falar e gritar, silenciei sete minutos a mais do que me é de costume. Uns sete minutos meio salgados e cheios de pausas aflitas, eu quase podia adorar a sensação de não precisar sonhar tão esperançosamente e... Assim como chegou escapou das minhas mãos em uma frase. Agora saio de casa com a mochila vazia e estranhamente ela pesa mais assim do que cheia daqueles meus planos embrulhados em guardanapos. Passando das quatro rodas do carro, do meu vidro no lado direito do banco de trás, das fotos que ultrapassam espelhos e passando inclusive da minha única visão de pós-mundo. Carreguei uma culpa tão grande que após desvendada virou só saudade, a pior e melhor de todas, em 1,2,3...
Debaixo de mil peles, em mim, naquele velho que eu vi na rua andando de bicicleta, ele e suas sobrancelhas horríveis. Após o trabalho, depois de dois dias seguidos de fumaça sem fogo, cansado assim como eu de algo que ele também não sabia, mas envolvia frio. Não quero contar os minutos pra não me desesperar muito, não aguentaria saber quantos milhões deles eu precisaria para matar uma única vontade, e nem era tão grande assim, só maior do que eu. Então... Me permito não ter que saber tanto assim de mim, às vezes soa previsível pra mim mesma, até nas vírgulas em excesso. E enquanto esse cidade for iluminada eu escreverei
sobre ela. Agora sou daqui, mudar não é um plano. Guarda-chuva e vinho debaixo do braço, câmera nova nas mãos, sorriso antigo, cabelo desbotado e um nariz novinho em folha, eu nasci! "Dá minha jaqueta, boy..." Finquei os pés em cimento fresco.

03 maio, 2010

São tempos de honra, as nossas revoluções infectam o corpo externo numa tomada rápida como em um filme de drama. Drama nosso de cada dia (diz respeito a mim). Os outros animais por coincidência se assemelham, relatam os dias de solidão a dois. Rimos. Meus momentos de solidão, os que mais me devastam, são sempre a dois. E por fora, a casca que nos reveste bebe a culpa.
Deixa eu me apaixonar enquanto é tempo, enquanto há tempo.
Deixa eu me apaixonar pela falta de tempo.

Nunca tive nenhum problema com a insônia, muito menos casos de manhãs como essa. E mais uma vez as linhas tortas me mostraram o caminho certo. Tenho mais frio pra sentir, uma mão morna que carrega unhas compridas, não há coração que aguente! Eu posso sentir o cheiro dos nossos astros... Mais perto do que se imagina. E se agora não consigo dormir é por que já devo estar sonhando.
São seis da manhã, o que eu posso dizer?
- Minha mão estará sempre a disposição da sua garrafa.