13 setembro, 2009

Viva!

Tão distante... Um andar lento e infinitamente marcante.
O que te faz feliz numa tarde de sombras?
E não sou nada, posso parecer alguém as três da manhã,
empurrando com toda força as lembranças ao redor, perseguindo-me.

De ontem para hoje envenlheci três anos...
Fecho os olhos tentando me imaginar num outro ponto,
num outro ano, num outro lugar lendo um livro,
ouvindo a mesma música.
Esse gosto amargo que ficou na minha boca,
ouvindo Bethania, bebendo soda (cáustica) e...
Arrependida.

Estou seca, oca, destilando água dos olhos
Entretando, estou viva, acima da terra
Esperando alguém passar, dar-me as costas e cair logo em seguida.

08 setembro, 2009

(des)ilusão de óptica e sentido

Interpretar é diferente de estar
Irracional e explicado pela natureza
Conceito ultrapassado seguido de um mal-estar
Se desejar é amar estamos perdidos de amor

Ignorância dos seres de pele e sangue
Estamos construindo uma fortaleza de prazer
Enfiai tua boca em meu contorno
Amigos amantes receptores de carne e querer

Farei de tudo para apagar e retocar seus passos em mim
De uma forma não tão cruel te dilacerar
Vou fazer com que se mate todos os dias
Numa forma excitante, suicida conturbada

Irás engolir todas as letras fora das linhas
Todos os suspiros socados goela a dentro
Irás comer a carne do passado em decomposição
Queimar na fogueira de suas próprias cartas

Te desejo a morte breve
Um sonho frustrado como o meu
O lixo da cozinha está cheio de você
Futuro exilado de um passado salgado.

Te escarro, futuramente adeus!

07 setembro, 2009

Do ferro ao sugo


No fundo da alma, brindando com uma taça de água ardente
Fumando o descascar da pele original
Voltamos as memórias póstumas
Onde morremos para contarmos histórias
Profundas vezes em que estive fora de mim
Senti um frio na espinha
As semelhanças de sorrisos e quase frustrações
Seguindo meus pés descalços

Voltando ao Eros, realidades constantes e futuramente mortais
Futuramente agora, levando os pontos as medidas exatas
Não saberás o que é real,
Só o que não enxergas é o que eu quero e posso ver
Seja para cima, para o lado, para baixo ou para dentro

Depois dos dias mastigados e cuspidos
Nós mantemos os olhos feridos
Na ponta da língua
Futuramente agora
Dedos de ferro, futuramente açúcar.

03 setembro, 2009

Olhos cegos que veem a luz apagada


Desconheço os fatos novos
Embora todo o novo seja uma prova de que não mudarei
Ou mudarei demais e ninguém irá perceber

Por muito tempo ouvindo conceitos múltiplos em pernas e faces
Rasguei minha pele para respirar o ar mais sujo
Em troca de tua benção recuperei meu bom senso
E também tua navalha, a que eu bebia sem sentir

E são oito palmos de abraço e mais um dedo de vingança
A pele fria ao ser cortada e depois costurada permanece ácida
A saliva podre que mantém a boca cheia é a maior prova de que engolimos vida

E são oito linhas de nada e um rosto de mágica
A manhã, amanhã, cheia de riscos no céu
Os seios fartos e eu farta de anseios

Seguindo o traço maior
Profundo e largo e cheio de insônia
Enliando os cabelos de grama
Pendurando os orgãozinhos no cabide
Amputando os membros

Falhos em vida, úteis em morte.

01 setembro, 2009

De novo

Um corredor de mentiras que atormentam
As pessoas sem rosto que me seguem
Fazem suposições de uma vida que não é minha
Escrevo hoje pela primeira vez um desabafo
Toda a perda de sentido que me causaram
Estou cega e surda

Suponho que se fosse verdade
Eu não teria tanto que questionar
Minhas escolhas, decisões, julgamentos e ofertas
São parte de mim
Ainda sim são meu problema

Creio que a vontade de agora seja passageira
Quem sabe as coisas estejam seguindo o
Caminho correto
E eu já tinha o escrito
Eles esperam para dar o meu próximo passo
Um começo sem fim

Permaneço com esse alívio atormentado
Continuo com as visões do passado
Mas só consigo sentir o vento forte
Por vez e outra vem o calor
Mas esse fora fraco e ralo
Descobri um ódio adormecido
E de tão forte me rasga a pele

Pensei em fugir de mim, mais uma vez
Adentrar no casulo que construí
Na última folha do meu caderno
Minhas palavras vomitadas depois do café da manhã
As bebo no almoço para espirrá-las no jantar

De tudo o que se foi e o que vai ser
Do cheiro de fogo que penetra em teu corpo
As listras dissolventes que embaralham o olhar
Estou sóbria há uma semana
E já morri pela quarta vez hoje!