09 dezembro, 2009

Desire


O meu desejo tem pernas que se enlaçam, tem mãos que se tocam e olhos que se comem. O meu desejo tem sentido, cheiro, gosto e ansiedade. Fugaz. E os desejos se encontram na pele que se renova. Aprendiz. Ardente em desejo, completamente inteira, insensível e carente, ardentemente desejável.
Me queira bem, estou te querendo bem nesse minuto.
Renovando os votos dessa caridade desejável, desejo o corpo límpido nos meus braços, os olhos que brilham de encontro aos sorrisos. Cabelos. Cabe a eles tal sedução de anos interrompida, cabe a mim ocupar esse desejo com movimentos singulares. Cabe ao desejo um tempo para matar-se.

06 dezembro, 2009

A mando

Quem já ardeu em alegria?
Euforia, derivados de olhos brilhantes e sorrisos no ponto? Sentir assim os pés fora do chão por longos minutos, ou apenas por 2 min e 43 s que é a duração daquela música alucinógena. Mas ponha a felicidade no repeat. Faço assim com a música.

Sei de quem se foi e de quem fica, junto a minha felicidade.
There’s no one, there’s no one,
There's no one, no one
There’s no one, there’s no one,
There's no one, no one. . .

Alegria derivada de bem-estar, pensamento repetido e carnes desejáveis. Sinto um gosto doce... Um gostar. Aproveitando na medida do possível, às vezes na impossível medida. Aproveitando o esperar. Esta felicidade tem nome, sobrenome, endereço e telefone. Tem esse tempo só meu e uma caixa vasta de verdade que guardo dentro da pele. Ecoa aqui, rasga tudo e soa claro até chocar-se com as paredes sujas de medo.

Felicidade é esta porta que acabo de abrir, minhas escolhas numeradas e eu disposta a mudar. Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado. A mando. Amando estou, a mando da razão.
Lá vem o amor nos dilacerar de novo... E eu de braços abertos. Rasga fundo e ecoa alto, volta todo dia pela manhã e me lambe o estômago de ansiedade.
Sinto agora uma imensa vontade de gritar, ouvindo-me baixinho não tenho noção da intensidade desse querer. Querer fluir.
Com o tempo vou no querer dessa fila sem fim.





04 dezembro, 2009

Mania


Não sou um gênio.
Mania pode ser o hábito de repetir compulsivamente determinada ação. É praticamente uma doença. Temos manias de todos os dias, movimentamos sobrancelhas, narinas, lábios, dedos, orelhas. Procurando o que fazer ao falar no telefone, escrevendo na última página do caderno, mascando chiclete do mesmo sabor, passando perfume nas costas, fechando os olhos no ônibus para adivinhar o local por onde se está passando. Manias de manias. De tudo o que faz parte na rotina, inclusive amar.
Temos manias mais lúdicas como a de vício em pessoas. Li hoje algo interessante e bem verdadeiro, uma frase apenas, dizia assim :
"temos mania de pintar de amor os outros sentimentos."
Na verdade temos mania de amar mesmo, e isso já é o suficiente em loucura. Mas essa é mais frequente dentre as manias, e é hábito sim. Acorda-se amando o colchão macio, o lençól com cheiro único, os retratos sobre a estante e todos os objetos espalhados pelo quarto. Ama-se as paredes sujas e a poeira agonizante no porta-retrato antiguíssimo com uma foto quase centenária de quem se ama mais ainda. Ama-se primeiro o corpo que acorda disposto a dormir mais um pouco, pensando naquele banho frio de um dia quente. Depois de amar o quarto ama-se as pessoas que estiveram em seus sonhos, e geralmente eu sonho muito. Tenho a sorte de ter sonhos lindos com as mais belas pessoas que me fazem feliz, a menina dos olhos de mel e o ogro vivem nos meus sonhos, sim, sim! Mas voltando... Ou não. Explicando também que eles são mania minha, minha mania de querer tê-los num quarto com poeira nas paredes,TV chiando, lençóis sujos, porta-retratos espalhados, objetos centenários e... MANIAS. Eu tenho mania de querer sugar tudo o que ainda resta num copo vazio.
Mania de encher o copo.

Término


Já parei e pensei
Escrevo demais
Ouço demais
Renovo os votos
Torço
Troco
Choro
Sonho
Tenho
Quero
E
Assim
Eu
Nunca
Termino
O
Que
Nunca
Vai
Ter
Fim.

Fim!

02 dezembro, 2009

Verniz


Após um breve descanso totalmente merecido
Eis que chega o momento de espera
Uma hora se passara
Tormentos breves e nada lúcidos
O coração parecia pulsar fervorozamente
Do lado de fora do pescoço
Eu podia sentir os batimentos
Quase invadindo o campo de visão
Demasiados passos e cores
Algo que parecia se dissolver
Na minha frente
Logo a ponto de colidir
E logo também desaparecia

Movimentos longos e quase infindos
Barulhos infernais capazes de me levar á loucura em poucos segundos
Os olhos capturando cada detalhe de cada átomo
O eu-por fora
Extremamente perdido
Externamente inibido
Supondo o futuro tão lindo

O céu era uma mistura de cores suaves
Brisa das 17 hrs
Eu lembro...
Ou lembrei depois quando me situei
Mas ainda nem situei
Cambaleando em linha reta
Sorrindo o verniz nas narinas
Grande céu em fumaça

Aqui no peito os pés na dança
Parados em nós
Sossegados sonolentos
As cabeças que giram nos panos em fita
No chão...
Na mão...
Meu tão...
Não são!

As palavras fogem
Decodifico em traços falhos
Ainda sim tenho os dedos marcados
Da minha boca
Felicidade
Os olhos que se encontraram
Trajeto de início e fim

A lucidez volta a relatar.