04 novembro, 2009

Evasão


As cores e os ferrões, tecidos quentes, estampas que camuflam os olhos recém acordados, asas aparadas na viagem ao chão, ignorando a possibilidade de vôo longo, longo ao longe.



Ignorância aparente, pernas cruzadas, braços entrelaçados e cabeças à posto, letra na boca, melodia nos dentes, abraços quentes e saudade esquecida. Ventilam os copos, saliva nos pêlos, doce na língua e olhos fechados. Vergonha decotada, unha quebrada, histórias relembradas e delírios em massa.

As trocas foram feitas



A brisa leva o que não trouxe. A porcelana quebrada no tapete da sala. Ontem. Os travesseiros então eram revestidos de cacos de vidro, cama de alfinetes e cordas. As gaiolas pertenciam aos olhos, aprisionados e famintos. Tirei a armadura, gritando aos dez mil ventos, e assim fere mais, e assim vai ser. Tirei a máscara, caindo nos treze mil cantos, e por aqui vive-se mais, e assim morri-se mais. Feitos de lâmina e aço.
A nudez do sentido veste minha angústia.


03 novembro, 2009

Juntando


O que faz dessa viagem a longo prazo eternidade são esses sorrisos.Somos fracos o suficiente pra querer continuar, continuando e andando,correndo, caindo, ah, enfim. Ignorando essas demasiadas tentativas de fuga,raciocínio lógico ou desespero nos fins de semana em cárcere. Paramos, olhamos, seguimos, mãos dadas em calçadas sujas e olhos límpidos, lua no centro, estrelas em ponta, cabeça inquieta.Fracos o suficiente para nos deixar contaminar, e nos deixamos,largados no tráfego. Despindo a imagem, vestindo na margem, voltando...
Eternamente ébrios.
E vocês são minhas estradas sóbrias.

Voltando


A embriaguez no porto da mente carrega os náufragos, carrega o tempero, o chapéu, a roupa molhada, o chinelo desbotado. A embriaguez permanente, a neura permanente, os distúrbios de humor, humor perfume e sentido. A sensação permanente que anestesia os pés, o formigamento no peito e depois as quedas e tropeços e quedas e feridas. No exterior do consciente aquele velho cobertor rasgado que ainda esquenta nas noites com a janela aberta.
É permanente. O cheirinho de jardim...