15 agosto, 2009

Todo dia, todo dia.

E quando faz de mim,
um contorno não tão perfeito
quanto o da tua boca a morder..
A que não é minha.
E se ousa fugir irá encontrar
em minha armadura o mais belo
lugar para morar, sobre meu
peito, teu lugar.

Ouça-o falar, não sinta,
ouça e esqueça. Por que nessas
paixões sobre aventuras
restam as marcas, aquelas que irão
doer mais do que suas feridas
não cicatrizadas..
As que eu não deixei.

Então torça, retorça e implore,
acabaram-se os dias de tua glória,
quem dera eu ter o poder de te
fazer matar mais do que amar,
quem dera pudera manter-me
apaixonada por toda a vida
só para ter em quem pensar
todos os dias.

12 agosto, 2009

Não!

Então tá, se tudo começa com um "sim" vou mudar
o final da história.
Nos nossos tempos de morango, um acender
e apagar de sonhos, meu niilismo e o seu, unidos
por nada e para nada.
Então me diz, o que eu faço ao teu lado
todo esse tempo? Será que a ironia do amor
não explica as coisas da carne?
Se é carne então devore, acabe logo com
o sangue a escorrer por entre seus dentes.

Não, não me deixe a te olhar sem nada a receber.
Não me deixe sentada na cama esperando o teu
braço a agarrar-me, me fale sobre o seu dia,
mas não me solte.
Então me canse, me sufoque mas não pare,
não me solte, n-não s-solte.
Então canse, sufoque e pare,
pare e me solte.

08 agosto, 2009

Eu e eu.. e você!

Puxando-te pelo cordão do pescoço
Línguas afiadas vagando por entre as orelhas
Taça de vinho e maço de cigarro
Portões de fogo a incendiar o corpo

Na tua boca que forma a mais perfeita
curva de desejo perdido
No queixo pontudo que fura meu rosto

Sobre a lua os cabelos voando e
nossos sorrisos ardentes
Sonhos que se repetem no acordar e no
dormir de mim

No fim dos tempos os desejos retornam
As vontades se renovam e a paixão se cala
Acomodada aos travesseiros por sentir
Um cheiro forte que toma o quarto

No começo e no fim de mim
Nas lembranças daqueles ventos
Dos pés descalços
Eu e eu.. e você!

06 agosto, 2009

Para alimentar os lobos.


O ama como se fosse o único
De poesias a fotografias
Entre tantos o primeiro
Que me causa desprezo
Entre tantos o primeiro
Que a faz feliz

Por entre os cachos seus dedos
Me perdoa se te odeio
Talvez não quisesse
Mas com a razão não tem jeito

Pensamentos que não se encaixam
Sorrisos que não se encontram
Mãos que não se tocam
Olhares que não se cruzam

Me perdoa se te odeio
Mas questão de signo não se discute
No inferno astral da minha vida
Você é um rei sem trono

Com ausência de rimas
Ou das melodias que gritam "meu bem"
Está em suas mãos parte da minha vida
Sua namorada me roubou o coração

Se fosse ciúme você apenas estaria morto
Mas como é ciúme eu que morri
Mas como não é apenas isso
Estamos vivos e eu sempre a odiar

Talvez seja sua perfeita imperfeição
De se manter calmo e conseguir seduzir
A menina dos olhos de mel
Ou talvez seja seu jeito estranho de andar
e falar
E com certeza é por que você a roubou de todos

Ela te escolheu e deixou os outros
Os deixou (nos deixou)
Para viver um romance florestal
Onde ela é a comida do lobo

Me perdoa se te odeio
Mas é que os pensamentos dela não mudam de frequência
Os dedos dela não escrevem outras coisas
Os olhos não brilham mais para mim
Os cigarros foram apagados
Meu pulmão e meu fígado estão limpos
E meu ódio por fim, aqui

Me perdoa se te odeio
Mas é que as vezes eu me odeio também..

Por fim, parei de viver!

05 agosto, 2009

Quase despedida.

De tantos medos possíveis
tomei a liberdade de impor meu futuro,
por entre cabelos oleosos
e bocejos às 7:41 da manhã de quarta,
dia 5 de agosto.
No quarto dia do mês as decisões
estão claras. No meu quarto as
claras paredes tomaram das decisões,
são amarelas.

Decidi, então!
Decidi não mandar as cartas (não mais).
E também não aparecer gritando a
sua porta (por mais).
Perder a voz quando fora cantar nossa música (até mais).
E vou parar de escrever (sem mais).

Desisti, então!
Se não posso fazer o impossível
que ao menos ajude-o a se apressar (o tempo).
Que me leve ou te leve, para sempre!
E se não for possível que releve.
Meu erro tentou ser certo como todos os
outros, e falhou junto a todos que tentaram.

Sabendo das incertezas da vida,
das idas e voltas de mim, de você,
resolvi dar uma chance (a última)
para aquilo que chamam de amor.