19 agosto, 2009

Mancha

Nossos pequenos acidentes de todos os dias.
Você está bem agora, cinco minutos se passam
e alguém morre, o sangue se dilata no corpo,
quem se importa?! Ele vive se formando,
uma vez, mais uma, outra...
Cabeças vão rolar enquanto viveres,
ele sempre me dizia antes de dormir..
Sempre!
Quem se importa?! Ele nunca mentiu!
Acidentes todas as tardes em sua casa,
falsos, escandalosos, sutis, reais até
onde quiseres, todos antes das seis.

E assim continua,
malditas garrafas que andam por meu
caminho. Sei que as jogam por propósitos
mundiais, não sou a base disso.
Não sou nem serei a pessoa pela qual
irás mudar por um dia da semana,
sexta-feira, quem sabe.
E por favor me indique o caminho,
esqueci meus olhos em casa
ao fechar a geladeira.

Quando andei descalça a chuva queimou
meus pés..
Descobri que meus abraços tem cheiro
amargo e triste, um péssimo dia para
ler recados, disse o diário do mago.
Por que com você os abraços tem cheiro
de saudade? Prometi nunca usar essa palavra,
termo sem sentido, nem existe (também adoro mentir).
E então, passo os dias pensando nos
aniversários, na verdade não tenho o que
pensar nas tardes. A falta do que fazer
quebra a barreira do som, acabo lendo as
mesmas palavras no mínimo três vezes,
no fim esqueço, é normal.

As manchas voltam,
todas as tardes a ferida se abre,
ela respira tão forte que acaba vomitando
pra fora da carne, o chão foi pintado
de vermelho por toda a semana,
tão vivo! E todo dia quando respiro
forte vomito as palavras, muitas vezes
meus restos são você, você que é o
resto das suas palavras, as que são feitas
de pulmão e fígado!

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